quinta-feira, 26 de junho de 2008

Eis o gancho!



Bom, nesse tempo aconteceram algumas coisas. Já apresentamos a pré-banca do TCC. Estavámos nervosas, mas foi muito positivo, de maneira geral, gostaram da idéia do projeto. Vimos que o que os professores fizeram foi clarear nossas idéias com dicas e questionamentos interessantes. Coisas que são importantes e que não tínhamos parado para pensar tanto, como a importância do gancho das matérias. O gancho, isso é importante demais. É por meio dele que vamos conseguir chamar a atenção do leitor. De agora em diante temos o gancho na cabeça!
Agora vamos nos reunir para elaborar o espelho do jornal, discutir as pautas e os ganchos.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Enquete do jornal - resultado final



Ontem foi entregue o material do TCC para a pré-banca. Foram 61 folhas de noites mal dormidas, rs. Mas estamos empenhadas nesse projeto. Agora vamos começar as etapas de pré-banca, pauta e redação.

Já temos o resultado da enquete com o público alvo do jornal. Segue abaixo:

Resultado da enquete nas quatro zonas da cidade de São Paulo
A enquete foi feita com 100 pessoas, 25 de cada zona da cidade de São Paulo - Pirituba, zona oeste, São Mateus, zona leste, Brasilândia, zona norte e Paraisópolis, zona sul.


Sexo
57 % Mulheres
43 % Homens


Idade
37 % entre 18 e 25 anos
26 % acima de 45 anos
19 % entre 35 e 45 anos
18 % entre 25 e 35 anos


Estado civil
55% Solteiros
38% Casados
4% Divorciados
3% Viúvos


Filhos
70% Sim
30% Não


Possui trabalho fixo?
47% Sim
22% Desempregado
16% Trabalha sem carteira assinada
15% Autônomo


Renda mensal familiar
34% Entre R$ 500 e R$ 1000
29% Até R$ 500
22% Acima de R$ 1.500
15% Entre R$ 1000 e R$ 1.500


Escolaridade
35% Ensino Médio completo
31% Ensino Fundamental incompleto
17% Ensino Fundamental completo
12% Ensino Médio incompleto
3% Ensino superior completo

2% Ensino superior incompleto

Reside em casa própria?
64% Casa em terreno da prefeitura
27% Alugada
7% Casa própria
2% Cedida


Lê jornal?
50% Às vezes
27% Sempre
23% Nunca


Nome do jornal
Voz da Periferia 88 %
Infoperiferia – 7%
Interperiferia – 2%
Nenhuma das opções 2%
Sugestão: Diário da periferia 1%


Editorias
24% Saúde
16% Cultura
16% Política
14% Esporte
8% Cursos gratuitos
5% Trabalho
4% Economia
3% Lazer
1% Direitos do consumidor


Principais necessidades apontadas pelos moradores dos bairros pesquisados

30% Saneamento básico
17% transporte
16% segurança
13% Educação
11% Lazer
11% Saúde
2% nenhum problema

sábado, 24 de maio de 2008

matéria - DO OUTRO LADO MORA A POESIA


DO OUTRO LADO MORA A POESIA

Sarau da Cooperifa se destaca como quilombo cultural com lançamento de mais três livros e a produção de um documentário


Por Izabela Vasconcelos

“Povo lindo, povo inteligente, é tudo nosso!”. É assim que começa o Sarau da Cooperifa. Sérgio Vaz, idealizador do programa, abre o sarau com essas palavras e centenas de pessoas as repetem. Muitas palmas, muita energia. Atrás do palco a frase: “O silêncio é uma prece”, e é assim que acontece há seis anos, na periferia da zona sul de São Paulo, a noite que reverencia a poesia.

A Cooperifa, Cooperativa de Poesia da Periferia, já lançou 36 livros e um CD com poesias de 26 autores, lançado em 2006 na Pinacoteca do Estado, na 2ª Virada Cultural. Além disso, se prepara para mais três lançamentos. Para o próximo mês o livro: Cooperifa, quilombo da poesia, pela coleção Tramas Urbanas da editora Aeroplano, e o documentário sobre o Sarau, produzido pela DGT Filmes, previsto para o final deste ano.

O livro, produzido por Sérgio Vaz, reúne 40 autores e 80 poemas e deve ser lançado em julho. “O livro começa na periferia dos anos 70, onde praticamente vivíamos numa ilha chamada Piraporinha, e que quando íamos ao centro, a gente falava: 'eu fui na cidade'”, conta Vaz. Outra produção, o livro Rastilho da Pólvora 2, também do idealizador da Cooperifa, deverá ser lançado entre junho e julho.

Márcio Batista é um dos organizadores do sarau e também irá lançar um livro em junho, o “Meninos do Brasil”, produção independente. Para ele, a noite poética tem um papel muito importante na periferia.“O sarau representa uma mudança muito grande na perspectiva de vida e na comunidade. Nós não temos idéia de quantas pessoas o sarau atinge, mas tudo isso é muito gratificante”, afirma.

É no Bar Zé Batidão, do proprietário José Cláudio Rosa, que tudo acontece, são duas horas de poesia, o silêncio só é quebrado pelas palmas calorosas do público ao final de cada poesia. Há dias em que o Sarau, que acontece todas as quartas-feiras, a partir das oito e meia da noite, chega a reunir 400 pessoas. O sarau já quebrou fronteiras, pessoas de várias zonas da cidade, e até de outros estados, vêm conferir a noite de poesia.

A Cooperifa surgiu como um movimento cultural da periferia em uma fábrica abandonada em Taboão da Serra, o sarau veio bem depois. “Logo quando a fábrica, onde a Cooperifa nasceu, fechou, eu e o Marco Pezão fomos conversar com o dono de um bar chamado Garajão, em Taboão da Serra, para a gente se reunir às quartas-feira para falar e ouvir poesia. Nem a gente sabia direito o que era sarau, mas o movimento foi crescendo e aí virou esse monstro que aí está”, explica Vaz.

Estudantes, mecânicos, professores, vigilantes, jovens, adultos e idosos recitam seus poemas. Basta colocar o nome no caderninho. Os assuntos são os mais variados: vida, alienação, fome, cotidiano, racismo, preconceito, entre outros. A maioria escreve suas próprias poesias, alguns decoram e recitam poemas como “Navio Negreiro”, de Castro Alves, ou “Perguntas de um trabalhador que lê”, de Bertold Brecht. A dramatização também faz parte dos recitais.

Personagens e poemas
Maria de Lourdes Peixoto, conhecida como “De Lourdes”, freqüenta o sarau há três anos. Logo que terminou a faculdade de letras, passou a freqüentar o programa e a recitar suas poesias. “O sarau é como um ritual, é uma igreja pra mim. Lá eu vou até doente”, diz ela.

Dona Edith, como é conhecida Edith Marques da Silva, perdeu a visão há oito anos por conta de uma diabetes, agora, com 63, diz que tem mais facilidade para decorar, é assim que ela recita longos poemas de Castro Alves, Cora Coralina e Cecília Meirelles. As sobrinhas, suas aliadas, gravam os poemas em fitas para que ela possa decorar. “Eu me sinto muito bem no sarau, eu sempre gostei de ler, eu adoro poesia”, afirma ela.

“Mulheres, preparem-se”, é assim que Lourival Rodrigues da Silva, ou "Seu Lourival", como é conhecido, é anunciado para recitar. Ele chega com seu papel e começa a declamar poemas românticos mesclados de humor e com um dialeto que ele próprio criou. Tudo isso faz dele uma marca registrada no sarau.

Edmauro de Almeida, o "Cocão", conheceu o sarau através de um amigo, a partir daí não parou de freqüentar. Hoje, escreve poesias, rap e é um dos integrantes do grupo Versão Popular, que faz apresentações de rap em diversas comunidades e centros culturais da capital. Cocão também participou do livro “Rastilho de Pólvora” e de um CD que reuniu poemas de vários autores da Cooperifa.

No final de 2007 a Cooperifa realizou a 1º Semana de Arte Moderna da Periferia, com direito ao Manisfesto da Antropofagia Periférica, escrito por Sérgio Vaz, apresentações musicais, debates e poesia.

Além do sarau, a Cooperifa participa da Poesia de Ruas, evento de rap que acontece toda última quinta-feira do mês na sede da ONG Ação Educativa. Sérgio Vaz também realiza oficinas de poesia em diversas escolas públicas. Este ano a Cooperifa também foi convidada para participar da Virada Cultural. Sérgio Vaz, Cocão, Márcio Batista, Lu Souza, José Neto, Rose, Fuzzil, Casulo, João Santos, Walmir Viera e Jairo Periafricania, passaram por três palcos do evento. É a periferia mostrando a sua cara.

domingo, 11 de maio de 2008

Sarau da Cooperifa - talento e poesia


Na última quarta-feira fomos no Sarau da Cooperifa. Foi ótimo. Quanta energia, quanto talento. Pessoas de todas as idades freqüentam e recitam seus poemas. Falam sobre a vida, alienação, fome, cotidiano, racismo, preconceito, entre outros assuntos.
A Cooperifa irá lançar sua 2ª antologia, o livro reúne 40 autores e 80 poemas. Um documentário também está a caminho. É a periferia fazendo arte e mostrando que talento e pensamento estão em ação. O Sarau já é uma pauta para o Voz da Periferia, é só esperar.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Periferia ganha espaço na TV Cultura


Olha só que notícia boa! A nova programação da TV Cultura abriu espaço para a periferia. O programa Manos e Minas estréia no dia 07/05 às 19:30. É só conferir. Veja a reportagem que saiu no O Estado de S. Paulo.


A hora e a vez dos Manos e Minas

Com apresentação de Rappin Hood, estréia dia 7 na Cultura o primeiro programa feito por, e para, jovens das periferias

Flávia Guerra

'Satisfação! Só os aliado, só os companheiro' , brada o rap do mestre-de-cerimônias da noite. E os aliados devolvem o verso: 'Us guerreiro! Us guerreiro.'Na platéia do Manos e Minas, o clima é 'mil grau'. Vários manos, atitude, responsa, Zona Sul, Zona Norte, Zona Oeste, e, claro, 'Zona Leste somos nós'. A animação é total enquanto Rappin Hood conduz a galera, que samba ao som de Jorge Aragão (tem samba, sim, sinhô) e cala em solidariedade quando o assunto é a falta de trabalho na periferia. Na tela, um jovem rapper fala do drama de procurar emprego - enquanto distribui currículos, faz seu rap. Na platéia, depois de assistir ao vídeo, um ex-presidiário solta o verbo: 'Fui enquadrado no artigo 157. Cumpri minha pena. Tô livre e quero trabalhar. Mas quem vai dar emprego para um ex-presidiário?' Jorge Aragão quebra o silêncio solene: 'Quem quiser trabalhar comigo procure minha equipe. Tem vaga para ajudante geral na turnê que estou fazendo. Não é muito, mas é um começo.'

Assim foi dada a largada de Manos e Minas, que estréia na TV Cultura no dia 7, às 19h30, e promete fazer jus ao bordão 'tá tudo dominado'. Mas, afinal, o que é Manos e Minas? Com exclusividade, fomos acompanhar a primeira gravação.

Programa de auditório? Show? Jornalismo? É tudo ao mesmo tempo - e agora. É o primeiro programa da TV nacional que não é só pensado mas também produzido pelo morador da periferia. 'Não é show. A vybe aqui é diferente. Na TV, você troca energia com o público, mas nunca sabe como vai voltar. Está sendo ótimo. O pessoal troca idéia legal. É o espaço que faltava. Até hoje, quase sempre, quando falam de nós, é só na página policial', reflete Rappin Hood. Em Manos e Minas, ele é mais que apresentador. É mestre-de-cerimônias. 'Não tem personagem. Sou eu mesmo', brada ele, que fez sua estréia na TV em 2007 no quadro Mano a Mano, do Metrópolis, em que fazia reportagens sobre temas da cena periférica de São Paulo. 'No Metrópolis, era mais concentrado na cultura. Fomos formatando uma linguagem e amadurecemos a idéia de criar um programa novo', comenta o diretor artístico de Manos e Minas, Ricardo Elias.

Mas quem manda na pauta da periferia? Um coletivo criativo formado pelo diretor do Núcleo de Cultura e Arte Hélio Goldstein, pelo editor-chefe Ramiro Zwetsch, o diretor de cena Dinho e por Elias. O motorista do 'busão' cultural é Rappin Hood.Por falar em coletivo, um dos destaques do programa é o quadro Buzão - Circular Periférico. Já tradicional das quebradas, o Buzão é conduzido pelo agitador cultural Alessandro Buzo, que percorre em um ônibus os caminhos da periferia do Brasil. Para completar o time, a DJ Juju Denden faz reportagens com o toque das minas sobre assuntos diversos. Cabelo afro, comida de porta de estádio e, claro, moda. O escritor Ferrez fala da cena cultural que pulsa nas quebradas. Rappin também vai a campo em busca de reportagens sobre esporte e comportamento. E arremata: 'Satisfação! Tamo junto!'


segunda-feira, 7 de abril de 2008

Pesquisa de campo: Paraisópolis



Neste último sábado começamos nossa pesquisa de campo. Fomos na segunda maior favela de São Paulo, Paraisópolis, aliás fomos muito bem recebidas. Ao conversar com as pessoas descobrimos muitas coisas. Uma coisa que eu não sabia: Paraisópolis tem trânsito, acreditem! A dimensão é de uma pequena cidade, mas não há urbanização planejada. A rua é um grande estacionamento. As pessoas têm casas, a maioria sem garagem, e acabam lotando as ruas estreitas de carros, resultado: um emaranhado de automóveis, além da falta de sinalização. Apesar do grande movimento, não há faróis em Paraisópolis. Eu provei do trânsito na volta para casa, e uma mulher chegou a me dizer que se alguém estiver precisando de socorro médico, uma ambulância demoraria muito para chegar e sair do local, ficaria presa.

Mas não foi só isso que descobrimos, ao conversar com as pessoas, para preenchermos nossas fichas de pesquisa, soubemos de um caso muito estranho envolvendo a Eletropaulo e alguns moradores da região. Prefiro não falar mais sobre o caso antes de apurar, isso nós vamos fazer no jornal, se o caso for verdadeiro a matéria será dada, mas antes vamos ver se o caso procede.

Alguns dados interessantes dessa primeira pesquisa, feita com 25 pessoas, merecem ser colocados aqui, apesar que o que valerá mesmo será o resultado final, envolvendo pesquisas em todas as zonas da cidade.

O que me impressionou: 38% dos entrevistados tem renda mensal familiar de até R$ 500,00. Alguns chegaram a dizer que seria um valor bem inferior a este.

Pense: sustentar uma família inteira com R$ 500,00 por mês. É um grande desafio neste País. O que se pode perceber é que a maioria destas pessoas, 39%, só tem o ensino fundamental incompleto, e para elas o mercado de trabalho é restrito, muito restrito. O que acontece é que muitos não conseguem emprego com essa escolaridade e acabam dependendo da renda de outra pessoa da casa. Nesses casos, geralmente, uma única pessoa da família consegue trabalho fixo.

Outras descobertas:

Sobre o nome do jornal
Entre vários nomes sugeridos para o nome do jornal, Voz da Periferia ganhou com 86% dos votos, Infoperifa ficou em segundo lugar com 13% dos votos.

Editorias abordadas
A maioria das pessoas, 44%, querem ler matérias sobre saúde e qualidade de vida, 18% sobre política, 14% cursos gratuitos e emprego, cultura e esporte ficaram empatadas, 12% para cada editoria.

Por enquanto é isso, zona leste, norte e oeste nos esperam!
Izabela Vasconcelos O. Almeida

segunda-feira, 17 de março de 2008

Existe jornalismo popular?

Estou lendo um livro que vai ajudar muito no TCC, Jornalismo Popular, de Márcia Franz Amaral, da editora Contexto. O livro aborda a questão do jornalismo feito para as classes C, D e E. E mostra exemplos de jornais populares e dicas de como escrever para um público com pouco rendimento financeiro e pouca instrução escolar.

O livro aborda a polêmica do sensacionalismo, artifício usado por muitos jornais para seduzir este público. Mas há exemplos de que esse tipo de artifício, além de ser antijornalístico, não é, a longo prazo, o melhor método para se manter no mercado. Veja o caso do Notícias Populares, que inventava histórias, personagens e hiperdimensionava acontecimentos dramáticos ou insólitos.

A idéia do nosso jornal não é hiperdimensionar os fatos, nem colocar tragédias escancaradas ou celebridades fazendo coisas fúteis, isso o povo já está cansado de ver. É verdade que os jornais que adotam este método ainda têm leitores, as pessoas se acostumaram com isso. A idéia é ousar. O que esse público procura é informação clara, útil e que tenha relação direta com a sua realidade. E é isso que nós vamos procurar trazer.


Os jornais já estão estampados com chacinas, drogas e seqüestros na periferia. A idéia não é fugir destas coisas como se elas não existissem, mas dar mais espaço para outra realidade. Por que os grandes jornais não mostram o que acontece de bom nas periferias? Por que só a violência é notícia? Se o bom jornalismo se faz mostrando os diferentes ângulos e abordagens de um fato ou local, não é esse tipo de jornalismo que eu vejo.

E como perguntou Carlos Chaparro no artigo, “Jornalismo de exclusão” e em "Popular, o conceito fraudado", será que atualmente existe jornalismo popular de verdade? Se os jornais não mostram a periferia como ela é, pelos fatos bons e ruins, e se não atende as necessidades desse público com prestação de serviços e esclarecimentos, esse não é um jornal popular.

Dizem que a periferia gosta de sensacionalismo e violência, que isso vende. Vender,vende, mas como essas pessoas vão gostar de outras coisas se nada de diferente lhes foi oferecido? Se os grandes jornais, além de caros, abordam outra realidade e são feitos para outro público?


Essas pessoas querem informação clara, objetiva e com aplicação direta. Os jornais populares até que atendem alguns desses requisitos, mas pecam ao apelar muito ao sensacionalismo. A intenção do nosso jornal é valorizar este público e prestar serviços através da informação útil e esclarecedora, fugindo de estereótipos e sensacionalismos.


Izabela Vasconcelos