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quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Matéria 4 - editoria Voz Ativa

Nas ondas do rádio

Reclame, sugira e se divirta ouvindo o som do seu bairro


Rádio Heliópolis: Todos os locutores são voluntários e recebem mais de 50 ligações por dia dos ouvintes da zona sul

O rádio é um dos meios de comunicação de mais fácil acesso. Eles são baratos e conseguem atingir muitas pessoas. Uma das rádios comunitárias mais conhecidas de São Paulo é a Heliópolis, 87,7 FM. A rádio, que existe há 16 anos, conta com 33 locutores e programas musicais, informativos e de entrevista.

No ano passado, por questões burocráticas, a rádio foi fechada. Agora faz um ano que foi reaberta e luta para ser reconhecida como uma rádio educativa.

No seu estúdio já foram entrevistadas personalidades como o ex governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, a ex-prefeita Marta Suplicy, o Senador Aluízio Mercadante e Eduardo Suplicy. Entre os artistas: Leci Brandão, Jair Rodrigues e Luciana Mello, sua filha, Wilson Simoninha, Lobão, entre outros.

“A rádio é focada na prestação de serviços, informamos sobre oportunidades de emprego, documentos perdidos, além de oferecer oficinas de rádio, edição de áudio e break”, conta a jornalista Cláudia Neves Pires, 26, conhecida como Claudinha, locutora e coordenadora da rádio.

O estudante Willian Batista, 25, conhecido como Liu MR, que também é rapper, diz que a rádio é uma ótima oportunidade na sua vida. “Eu estou no lugar certo, gosto de rádio e também estou fazendo jornalismo”, conta ele, que conseguiu uma das bolsas cedidas à comunidade de Heliópolis por meio da UNAS.

Na zona oeste, em Pirituba, existe a rádio Urbanos, 101,3 FM, criada por Claudio Santista, dono do bar que leva o mesmo nome, também criador do Sarau Literário Elo da Corrente. “Tudo começou meio que de brincadeira, depois ficou uma coisa séria. Hoje temos uma programação variada”, conta Santista, morador do Jardim Monte Alegre.

A rádio existe há oito anos e tem parceria com a OBORÉ, uma empresa de comunicação que envia CD’s informativos com dicas de saúde e outros assuntos que são transmitidos à população. Além disso, os moradores entram em contato para fazer críticas e reclamações de problemas no bairro, principalmente enchentes.


Cláudio Santista participa do Sarau com transmissão ao vivo pela Urbanos FM



O Sarau Elo da Corrente, que reúne moradores e outros interessados para ler e declamar poesias, a maioria criada por eles mesmos, é transmitido ao vivo pela rádio Urbanos FM.

Os que podem assistir vão ao Bar do Claúdio Santista, os que não podem escutam pelo rádio.

O ativista cultural e educador, Michel Silva, que acompanhou o surgimento da rádio e do sarau bem de perto diz que o sarau também é um microfone aberto, para que os moradores falem o que quiserem, já que a transmissão também acontece pela rádio. Mas lembra que alguns não se envolvem nestes trabalhos porque não entendem bem a proposta. “Algumas pessoas quando vêem outras organizando algo comunitário acham que é para o benefício próprio”, explica.

O Sarau mantém parceria com a Secretaria de Cultura do Estado para o lançamento de livros dos poetas do sarau, só neste final de ano serão lançados oito livros.

“Descobrimos muitos poetas de gaveta, pessoas que são nossos vizinhos e que a gente nem sabia que escrevia poesias”, conta Michel.

Rádio Heliópolis 87, 7 FM
Telefone: 2273-1844

Rádio Urbanos 101, 3 FM
Telefone: 3906-0348

Sarau Elo da Corrente
Bar do Cláudio Santista – Rua Jurubim, 788 – A – Jardim Monte Alegre - Pirituba – Zona Oeste. Quintas-feiras às 20h. (11) 3906-6081 c/ Michel ou (11) 3906-0348 c/ Cláudio Santista. http://elo-da-corrente.blogspot.com/

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Periferia ganha espaço na TV Cultura


Olha só que notícia boa! A nova programação da TV Cultura abriu espaço para a periferia. O programa Manos e Minas estréia no dia 07/05 às 19:30. É só conferir. Veja a reportagem que saiu no O Estado de S. Paulo.


A hora e a vez dos Manos e Minas

Com apresentação de Rappin Hood, estréia dia 7 na Cultura o primeiro programa feito por, e para, jovens das periferias

Flávia Guerra

'Satisfação! Só os aliado, só os companheiro' , brada o rap do mestre-de-cerimônias da noite. E os aliados devolvem o verso: 'Us guerreiro! Us guerreiro.'Na platéia do Manos e Minas, o clima é 'mil grau'. Vários manos, atitude, responsa, Zona Sul, Zona Norte, Zona Oeste, e, claro, 'Zona Leste somos nós'. A animação é total enquanto Rappin Hood conduz a galera, que samba ao som de Jorge Aragão (tem samba, sim, sinhô) e cala em solidariedade quando o assunto é a falta de trabalho na periferia. Na tela, um jovem rapper fala do drama de procurar emprego - enquanto distribui currículos, faz seu rap. Na platéia, depois de assistir ao vídeo, um ex-presidiário solta o verbo: 'Fui enquadrado no artigo 157. Cumpri minha pena. Tô livre e quero trabalhar. Mas quem vai dar emprego para um ex-presidiário?' Jorge Aragão quebra o silêncio solene: 'Quem quiser trabalhar comigo procure minha equipe. Tem vaga para ajudante geral na turnê que estou fazendo. Não é muito, mas é um começo.'

Assim foi dada a largada de Manos e Minas, que estréia na TV Cultura no dia 7, às 19h30, e promete fazer jus ao bordão 'tá tudo dominado'. Mas, afinal, o que é Manos e Minas? Com exclusividade, fomos acompanhar a primeira gravação.

Programa de auditório? Show? Jornalismo? É tudo ao mesmo tempo - e agora. É o primeiro programa da TV nacional que não é só pensado mas também produzido pelo morador da periferia. 'Não é show. A vybe aqui é diferente. Na TV, você troca energia com o público, mas nunca sabe como vai voltar. Está sendo ótimo. O pessoal troca idéia legal. É o espaço que faltava. Até hoje, quase sempre, quando falam de nós, é só na página policial', reflete Rappin Hood. Em Manos e Minas, ele é mais que apresentador. É mestre-de-cerimônias. 'Não tem personagem. Sou eu mesmo', brada ele, que fez sua estréia na TV em 2007 no quadro Mano a Mano, do Metrópolis, em que fazia reportagens sobre temas da cena periférica de São Paulo. 'No Metrópolis, era mais concentrado na cultura. Fomos formatando uma linguagem e amadurecemos a idéia de criar um programa novo', comenta o diretor artístico de Manos e Minas, Ricardo Elias.

Mas quem manda na pauta da periferia? Um coletivo criativo formado pelo diretor do Núcleo de Cultura e Arte Hélio Goldstein, pelo editor-chefe Ramiro Zwetsch, o diretor de cena Dinho e por Elias. O motorista do 'busão' cultural é Rappin Hood.Por falar em coletivo, um dos destaques do programa é o quadro Buzão - Circular Periférico. Já tradicional das quebradas, o Buzão é conduzido pelo agitador cultural Alessandro Buzo, que percorre em um ônibus os caminhos da periferia do Brasil. Para completar o time, a DJ Juju Denden faz reportagens com o toque das minas sobre assuntos diversos. Cabelo afro, comida de porta de estádio e, claro, moda. O escritor Ferrez fala da cena cultural que pulsa nas quebradas. Rappin também vai a campo em busca de reportagens sobre esporte e comportamento. E arremata: 'Satisfação! Tamo junto!'