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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

EDITORIAL

A "outra" periferia
Tantas são as periferias de São Paulo, quantos moradores, tantos lutadores. E o que se mostra na TV, no rádio, nos jornais? Violência e outros fatos negativos. Mas nós sabemos que existem muitas coisas diferentes, positivas e interessantes para se mostrar nas comunidades. E você também deve saber disso. Foi por este motivo que nasceu a idéia de criar o jornal Voz da Periferia.

Nesta primeira edição conhecemos histórias interessantes, a maioria faz parte do dia-a-dia da comunidade, mas são interessantes pela simplicidade. Como moradoras da periferia conhecemos muitas dessas histórias, mas agora encaramos com um novo olhar.

Personagens como o sr. Zagatti, que criou um cinema com materiais encontrados no lixo, Silva, do Rio Claro, que fundou um time de futebol em São Mateus, Cristiano Silva, que mesmo com deficiência física pratica esportes, e tantos outros. São pessoas que têm tanto para falar, tanto para lembrar.

Em todos os bairros que visitamos, Heliópolis, Brasilândia, Pirituba, Paraisópolis e São Mateus, fomos bem recebidas. Sempre tinha alguém para ser nosso guia no bairro, e com essas pessoas conhecemos muitas outras.

Cada final de semana em um bairro, cada semana uma história.
E foram tantas que não podemos escrever todas que conhecemos, mas são suficientes para afirmar que a periferia tem condições de manter um jornal. Ela por si só, tem histórias suficientes para encher muitas páginas, e muitas outras pessoas interessadas em conhecer esses relatos e notícias.

Muitas das pessoas que conversamos sempre diziam a mesma coisa: “Vocês estão fazendo um jornal sobre a periferia? Peço uma coisa, não fale só de tragédia e violência”. Essa era a frase mais comum. Sabíamos que essas pessoas estavam cansadas da forma como são retratadas pela grande mídia, e por esse e outros motivos, decidimos elaborar este jornal.

Hoje, grande parte dos meios de comunicação relaciona a palavra “Periferia” a pontos negativos e coisas trágicas. Diante deste fato decidimos “reverter” essa imagem, pois, sabemos que na periferia existem pontos positivos e assuntos que infelizmente são deixados de lado. É claro, sem omitir fatos negativos, mas esse não é o foco desse jornal.

Apostamos também que através da informação é possível promover conhecimento de direitos e conquista da cidadania. Por isso abrimos espaço para o leitor, com interação entre o jornalista e a comunidade, o que resultou em experiências, lições de vida, lembranças engraçadas e conhecimentos que serão guardados eternamente.

No Voz da Periferia você vai encontrar assuntos como saúde, esporte, política, dinheiro, cultura, trabalho e educação, com um grande diferencial, todas as matérias evolvem a periferia de São Paulo. Toda a semana você poderá conferir entrevistas exclusivas com pessoas que fazem ou fizeram história na comunidade.

Além de todos estes assuntos, você também pode participar do jornal. Na página Seu Espaço, qualquer pessoa pode enviar uma foto da sua comunidade, uma charge feita por você, poesia, uma dica de algo que entenda ou goste, além de reclamações e sugestões para a melhoria do seu bairro.

Contamos com você! Venha fazer parte e seja a Voz da Periferia!

domingo, 31 de janeiro de 2010

Matéria 17 - Seu bolso

Aprenda a se vestir bem com pouco dinheiro

No brechó da Inês, na zona sul de São Paulo, você consegue encontrar roupas de marca por até R$ 2,00

Para Miriam Mendes Cardoso, 41anos, cliente do brechó desde 2003, a idéia de criar uma loja com roupas usadas foi ótima, porque tem variedade e os preços são irresistíveis. Com acessórios coloridos, estampas de todos os tipos, marcas de roupas nacionais e internacionais, o Brechó da Inês exibe várias tendências, ajuda você a ficar na moda e o melhor, gastando bem pouquinho.

“Se não fosse o brechó da Inês eu nunca teria condições de vestir roupas de marca. Jamais teria uma blusa da Daslu ou Zara, afinal são muito caras”, afirmou a cliente

Miriam Mendes, que chegou a pagar R$ 8,00 em uma blusa da Daslu, sendo que na loja a mesma peça custa R$350.

O Brechó, que existe há 16 anos, se tornou o ponto de encontro no bairro Parque Figueira Grande, localizado na periferia da zona sul. Os clientes se transformaram em amigos e muitos vão até o brechó não para comprar e sim para bater um papo com Inês Nunes Maia, 47 anos, dona do brechó.

Com um cadastro de 100 pessoas que comparecem todas as semanas para conferir as novidades, Inês conta algumas histórias e uma delas é a da cliente mais antiga. “A Dona Maria freqüenta aqui há 16 anos e sempre conta que por não ter condições de comprar roupas tinha vergonha de ir à igreja, e que ficava escondida no último banco. Hoje ela brinca e agradece que graças ao brechó ela faz questão de desfilar os modelos na igreja”, relata.

O comércio de objetos usados hoje se transformou em um dos melhores lugares para se comprar roupas e acessórios. “Antigamente brechó era motivo de chacota e hoje tudo mudou. As pessoas vêm aqui pelo preço, porque sempre trabalhamos pensando no bolso dos clientes e também pelas peças exclusivas que dificilmente você vai encontrar outra igual”, diz Inês.

Os clientes são bem variados, lá você encontra donas de casa, estudantes, médicos, auxiliares, administradores, garis e pessoas de outras regiões, e todos com um único objetivo – encontrar roupas a preço de banana, como por exemplo, mochila da marca Kipling que no Shopping sai por R$300,00, e no brechó é vendido por R$20,00. Tênis Converse All Star que no Shopping é vendido por R$50,00 e no brechó sai por R$12,00, entre outras variedades.

“Aqui eu não chamo de Brechó, e sim Shopping da Inês, porque aqui eu encontro tudo”, relata Maria do Carmo, cliente há 15 anos e que faz questão de visitar a loja de peças usadas todas as semanas para conferir as novidades e mudar o visual.

Clique na imagem para visualizar:




Matéria 13 - Editoria Torcida

Cafu: da periferia para o mundo

Jogador visita Jardim Irene e relembra a infância e juventude no bairro


Cafu carrega o nome da Fundação na camisa: “Mais um sonho realizado”

Quem via o garoto Marcos Evangelista de Moraes jogar nos campos de terra do Jardim Irene, periferia da zona sul, não imaginava que ele saltaria da terra batida para os gramados de grandes clubes. Na época, apenas um menino, como muitos outros, com muita vontade de se tornar um grande jogador de futebol.

A paixão pelo esporte, como Cafu mesmo diz, sempre esteve no sangue. “Essa paixão é antiga, desde que nasci. Eu nasci na época da Copa de 70 e já nasci com a bola nos pés”, afirma.

A infância, marcada pelas partidas no bairro e por outras lembranças. “Várias épocas me marcaram no Jardim Irene, como quando eu jogava bolinha de gude com os amigos, as brincadeiras, o futebol, tantas coisas”, relembra.

Do Nacional, onde iniciou a carreira, à Portuguesa, Itaquaquecetuba, São Paulo, Zaragoza, Palmeiras, Roma, Milan e, claro, 140 partidas pela Seleção Brasileira.

Entre tantos desafios e conquistas, ele não se esquece de um momento. “O mais marcante, com certeza foi quando eu ergui a taça na Copa de 2002”. O nome do bairro, que nunca foi notícia, passou a ser visto pelo mundo todo, 100% Jardim Irene. Foi o que Cafu escreveu na camisa da seleção brasileira quando ergueu a taça, como capitão da equipe.

Um velho sonho realizado

Em 2004 surgiu a idéia de criar uma instituição que beneficia a comunidade do bairro onde cresceu. Assim nasceu a Fundação Cafu, que hoje atende a mais de 600 crianças, jovens e adultos do Jardim Irene e de outros bairros vizinhos. Em comemoração ao dia das crianças, a instituição realizou várias atividades no dia 10 de outubro, quando Cafu esteve presente.

Juan Carlos Almeida Silva, de 12 anos, participa dos projetos da Fundação. Todos os dias, há quatro anos, ele acorda cedo para aprender capoeira, futsal e artes, depois vai direto para a escola. Quando perguntado se ainda joga futebol na rua, ele responde: “Não tenho mais tempo, jogo futsal na Fundação. Gosto muito das aulas, prefiro jogar lá que jogar na rua”. A mãe, Cleide Silva, concorda. “Com essas coisas, a criança aprende a ter responsabilidade, não dá tempo nem de ficar na rua”, afirma.

“O que é mais gratificante é ver que essas crianças aprendem, se desenvolvem”, diz o jogador.

Como um jovem da periferia, Cafu afirma que passou por muitas dificuldades, mas dá um conselho: “Sigam em frente, aprendendo, se desenvolvendo. Nunca se envolvam com drogas e continuem na luta por seus sonhos”, conclui.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Matéria 2 - editoria Eu curto!

Diversão não vai faltar!

Agenda cultural da periferia traz os principais eventos em diversos bairros


Cinema, samba, hip hop, sarau e teatro. Fica até difícil escolher o que fazer para se divertir. Opções é o que não faltam. E para reunir todos os eventos em um só lugar a ONG Ação Educativa criou, em 2007, a Agenda Cultural da Periferia.

A Agenda é um guia para você planejar onde e como se divertir sem ter que ir para muito longe. Afinal, a periferia também tem diversão. A cada edição são mais de 70 opções para você escolher.
O guia é distribuído todos os meses e também fica disponível no site: www.agendadaperiferia.org.br

Toda semana o jornal Voz da Periferia lista cinco opções da Agenda para você se divertir. Confira estas dicas e boa diversão!

Samba Popular Brasileiro
Compositores da comunidade da zona norte e autores consagrados apresentam suas músicas no Projeto Samba Popular Brasileiro. Organizado por Paulo Roberto (O Poeta) e convidados.
Rua São Quirino, 905 – Pq. Vila Guilherme (Trote), Zona Norte. Todos os sábados, das 14h às 17h. Entrada gratuita. (11) 3453-7690/9335-4055 c/ Paulo Roberto. E-mail:
paulorobertospb@gmail.com

Cine Becos

O projeto “CineBecos” surgiu em 2005, encabeçado por alunos da Oficina Experimental de Jornalismo da ONG Papel Jornal que atuam juntos há mais de três anos na região do Jd. Ângela, zona Sul de São Paulo. Há exibições de filmes com temas diversificados no CineBecos, seguidos de debates acerca dos mais diversos assuntos.
Casa Popular de Cultura do M’ Boi Mirim – Av. Inácio Dias da Silva, s/n – Piraporinha – Zona Sul. Entrada gratuita. (11) 5514-3408/7620-6233 c/ Rogério Pixote.

Sarau Elo da Corrente
Família Alerta ao Sistema e Rádio Comunitária Urbanos FM convidam a comunidade para se reunir, recitar suas poesias, pensamentos e músicas. O Sarau acontece nas quintas-feiras (exceto a última do mês),
Bar do Cláudio Santista – Rua Jurubim, 788 – A – Pirituba – Zona Oeste. Quintas-feiras às 20h. (11) 3906-6081 c/ Michel ou (11) 3906-0348 c/ Cláudio Santista.
http://elo-da-corrente.blogspot.com/

Hip Hop em Ação
Todo último sábado do mês essa atividade é desenvolvida na Casa do Hip Hop em Diadema. O objetivo é o fortalecimento da cultura do Hip Hop, difundindo os seus quatro elementos (MC, DJ, Breaking e Graffiti).
Casa do Hip Hop – Rua 24 de maio, 38 – Jd. Canhema – Diadema. Todo último sábado do mês, das 12h às 19h. Entrada gratuita. (11) 4075-3792

Semeando asas na comunidade
O projeto da ONG Pombas Urbanas traz o teatro para crianças, jovens e adultos, com espetáculos no centro da cidade e também na zona leste da cidade.
Centro Cultural Arte em Construção – Avenida dos Metalúrgicos, 2.100 (em frente ao Sacolão Tiradentes) Aos sábados, às 19h. (11) 2285-5699 – E-mail: contato@pombasurbanas.org.br

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Matéria 1 - editoria Eu curto!

Periferia na avenida
Leandro de Itaquera escolhe periferia como enredo do carnaval 2009

O programa apresentado por Regina Casé serviu como inspiração para o enredo da escola


O trabalhador que sobe o morro todos os dias, o rapper que compõe suas músicas, o migrante nordestino, o jogador dos campos de várzea. Esses e tantos outros personagens desfilam no sambódromo no próximo carnaval.

Inspirado no programa Central da Periferia, da TV Globo, o enredo da Leandro de Itaquera traz a atriz e apresentadora do programa, Regina Casé, como Rainha de bateria. Depois de dois anos, a escola de samba volta ao grupo de elite e se apresenta no primeiro desfile de sábado. O enredo deste ano é “Leandro de Itaquera faz a festa da periferia, salve, salve a nossa rainha Regina Casé ”.

No dia 11 de outubro a atriz visitou a escola, que fez um concurso para escolher o samba do próximo carnaval. Quatro composições concorriam ao enredo, todas sobre periferia. A música vencedora foi a dos compositores Xixxa, Juba, Didi Poeta, André, Wagner, Gêmeos e Gomes.

Os preparativos, as fantasias e os ensaios continuam cada vez mais fortes. “Estamos empenhados em desenvolver um excelente espetáculo, com cores e brilhos. Será um dos maiores carnavais vistos por todos, nosso hino, a nossa oração será, com certeza um samba inesquecível”, afirma o presidente da escola, Leandro Alves Martins.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Enfim, o jornal



No final de outubro concluímos o jornal Voz da Periferia. São 16 páginas de matérias focadas nas periferias e comunidades paulistanas. Logo postaremos todas as matérias aqui. O jornal está disponível em PDF, no link abaixo.

A vida no Buzão - Artigo do escritor e apresentador da TV Cultura, Alessandro Buzo

Editorial - Izabela Vasconcelos e Priscilla Mendes

Seu Espaço (charge, foto, dica e reclamações dos leitores)

Eu curto!

Periferia na avenida - Leandro de Itaquera escolhe periferia como o enredo do carnaval 2009

Diversão não vai faltar! - Agenda Cultural da Periferia traz os principais eventos em diversos bairros

Voz Ativa

Associações Comunitárias : Saiba colaborar com o seu bairro - Trabalho dos moradores beneficia periferia e traz melhorias à população

Nas ondas do Rádio - Reclame, sugira e se divirta ouvindo o som do seu bairro

Viva Saúde

Aprenda a se prevenir contra o inimigo do peito - índice de morte por câncer de mama aumentou 68% no Brasil, doença é a que mais mata entre as mulheres

Saúde na terceira idade - Saiba como melhorar a qualidade de vida com a Medicina Tradicional Chinesa

2008: ano do saneamento básico? - Problema que atinge 47% da população brasileira e mata 15 mil por ano, ganha um ano de celebração

Sua chance!

Agência gratuita oferece cursos e orientação profissional - Além de buscar vagas, interessados podem aprender a elaborar currículos e a se comportar em entrevistas e dinâmicas

Vida real

Drogas, e agora? - A história de quem vive ou já viveu o drama e o mais importante: como lidar com a situação

É correto dar esmolas?

Torcida

Futebol também é história - Um museu dedicado à paixão dos brasileiros

Silva, do Rio Claro: 20 anos vestindo a camisa do clube

Cafu: da periferia para o mundo - Jogador visita Jardim Irene e relembra a infância e juventude no bairro

Ele faz o que parece impossível - Atleta sem as pernas exibe talento nas quadras

Basquete de Rua: Brasilândia é forte no esporte

Seu bolso

Economize na compra da cesta básica - Pesquisando bem é possível poupar mais de mil reiais por ano

Aprenda a se vestir com pouco dinheiro - No brechó da Inês, na periferia da zona sul de São Paulo, você consegue encontrar roupas de marca por até R$ 2,00

Armazenamento doméstico: Você já ouviu falar? - Técnica faz com que alimentos por muitos anos e sejam úteis em momentos de maior necessidade

Fala aí!

O catador de sonhos - Um cinema feito com materiais encontrados no lixo já fez os olhos de muitas crianças brilharem na periferia de Taboão da Serra

O jornal finalizado está disponível para download no seguinte endereço:

OBS: Continuamos recebendo informações sobre as novidades que acontecem na periferia, e continuaremos atualizando o blog.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Periferia na Bienal do Livro


No último sábado fomos na Brasilândia atrás de pautas, depois fomos no Anhembi, na Bienal do Livro. Assistimos um debate sobre literatura periférica. Participaram do debate, mediado pelo jornalista Chico Pinheiro, Sérgio Vaz, Allan da Rosa, Sacolinha e Alessandro Buzo, todos escritores da periferia. Confira:

Periferia marca presença na Bienal do Livro


Izabela Vasconcelos

Escritores da periferia nas grandes editoras rompem com a identidade e objetivo da periferia? Ou melhor: é possível ser independente em uma grande editora? Essa foi a questão levantada pelo jornalista Chico Pinheiro no debate sobre literatura periférica, no último dia 23/08, na Bienal do Livro de São Paulo. Participaram do debate Sérgio Vaz, Allan da Rosa, Sacolinha e Alessandro Buzo, todos escritores da periferia.

O tema deu o tom ao debate, para a maioria deles a periferia tem que mostrar seu trabalho, independente de ser em uma grande editora ou não.

Sérgio Vaz, Sacolinha e Alessandro Buzo já têm livros publicados por grandes editoras, como a Global, já Allan da Rosa publica livros por meio de sua editora independente, a Toró.

Para Sérgio Vaz, idealizador da Cooperifa, a grande editora não representa o sucesso do autor ou não. “Não é a chancela de uma grande editora que vai dizer se a gente é bom ou não”, afirmou.

Allan da Rosa acredita que uma editora independente tem um diferencial positivo que as grandes editoras não têm, a acessibilidade para os leitores, a abertura do caminho para a literatura. “Os livros de uma editora independente chegam aonde os livros de uma grande editora não chegam”, explicou.

A periferia se mostra
Na TV, nos debates, nas livrarias, na Bienal. A periferia está ganhando espaço. Para o escritor Alessandro Buzo a Internet é uma grande aliada nesse trabalho de divulgação da arte periférica. “A Internet foi predominante para divulgar nosso trabalho. Nós só tínhamos a grande mídia, que geralmente não abre espaço para a periferia, só no caderno policial. Não abre espaço para coisas positivas”, afirmou o escritor, que agora tem um quadro no programa Manos e Minas, da TV Cultura.

Os saraus abriram espaço para as pessoas expressarem suas opiniões, mostrarem sua arte e imergirem no mundo da literatura. “A gente incentivou a ler, mas também incentivou a escrever”, ressaltou Sacolinha.

“A periferia está vivendo sua primavera de Praga, a nossa Bossa Nova. Nós conseguimos reunir 500 pessoas para ouvir poesia e isso brotou das ruas de terra, do chão puro, do esgoto, da porta de escola, do aposentado que não recebe o salário. Isso não é revolução, é evolução. O povo quer isso, nós estamos vivendo na periferia como se fosse outro país”, disse Sérgio Vaz a respeito dos movimentos culturais que surgiram e estão surgindo na periferia.

“Ver tudo isso me emociona, são 37 anos de jornalismo e eu posso dizer que esse é um momento histórico neste país. A periferia está se mostrando, mostrando sua arte”, encerrou Chico Pinheiro, que já freqüentou o Sarau da Cooperifa e afirmou estar encantado com os movimentos culturais que surgiram na periferia.


Confira parte do debate:


quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Um livro inspirador para o projeto



Quando eu terminei de ler o livro Notícias da Favela da jornalista Cristiane Ramalho eu me perguntei: - por que não li esse livro antes? A obra conta todo o processo de construção do portal Viva Favela, da ONG Viva Rio, no estado do Rio de Janeiro. É o primeiro site jornalístico com notícias das favelas do Rio de Janeiro, e sem estereótipos, como a grande mídia faz. Sem estereótipos porque é um trabalho em parceria com os próprios moradores das comunidades. Moradores do Complexo do Alemão, Rocinha, entre outras comunidades, trabalham diretamente com os jornalistas. Eles participam das reuniões de pauta, sugerem temas e vão atrás das pautas, encontram entrevistados e no final escrevem a matéria ao lado de jornalistas do portal. Eles, os moradores, melhor do que ninguém, conhecem muito as suas comunidades e têm um olhar atento para as suas necessidades.

Quem visitar o portal verá que é um projeto muito completo, com galeria de fotos, arquivo de matérias especiais, site específico de meio ambiente, editorias de educação, saúde, trabalho, entre outros temas.

O livro é um relato das conquistas do portal, da relação da mídia com as favelas, dos jornalistas do portal com a comunidade, das necessidades desse público e do quanto ele é mal retratado pela impressa. As pessoas esquecem que nas favelas e periferias há gente trabalhadora, honesta e talentosa, é isso que as matérias do portal mostram, sem esquecer dos problemas de violência e desigualdade social, mas sem deixar que eles prevaleçam e apaguem o lado de luta que existe nessas comunidades.

Com certeza é um projeto inspirador para o nosso TCC, já que também temos a proposta de abordar o outro lado da periferia que a mídia não aborda. Existe uma grande lacuna na mídia em relação à periferia. No Rio de Janeiro há muitos movimentos em prol das regiões mais carentes. Em São Paulo não há veículos de comunicação voltados para a periferia. Há programas de TV, como o Central da Periferia, da TV Globo e o Manos e Minas, da TV Cultura. Mas e no meio impresso? A periferia fica esquecida e suas reais necessidades não são atendidas, seja porque esteja distante dos interesses comerciais dos empresários da mídia, seja porque muitos empresários e jornalistas não entendem a periferia, suas necessidades, seus gostos. Mas por que não tentar? O jornalismo não tem um papel social? É o que todos escutam nos quatro anos de faculdade. Por que não pensar no social?

Izabela Vasconcelos

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Periferia ganha espaço na TV Cultura


Olha só que notícia boa! A nova programação da TV Cultura abriu espaço para a periferia. O programa Manos e Minas estréia no dia 07/05 às 19:30. É só conferir. Veja a reportagem que saiu no O Estado de S. Paulo.


A hora e a vez dos Manos e Minas

Com apresentação de Rappin Hood, estréia dia 7 na Cultura o primeiro programa feito por, e para, jovens das periferias

Flávia Guerra

'Satisfação! Só os aliado, só os companheiro' , brada o rap do mestre-de-cerimônias da noite. E os aliados devolvem o verso: 'Us guerreiro! Us guerreiro.'Na platéia do Manos e Minas, o clima é 'mil grau'. Vários manos, atitude, responsa, Zona Sul, Zona Norte, Zona Oeste, e, claro, 'Zona Leste somos nós'. A animação é total enquanto Rappin Hood conduz a galera, que samba ao som de Jorge Aragão (tem samba, sim, sinhô) e cala em solidariedade quando o assunto é a falta de trabalho na periferia. Na tela, um jovem rapper fala do drama de procurar emprego - enquanto distribui currículos, faz seu rap. Na platéia, depois de assistir ao vídeo, um ex-presidiário solta o verbo: 'Fui enquadrado no artigo 157. Cumpri minha pena. Tô livre e quero trabalhar. Mas quem vai dar emprego para um ex-presidiário?' Jorge Aragão quebra o silêncio solene: 'Quem quiser trabalhar comigo procure minha equipe. Tem vaga para ajudante geral na turnê que estou fazendo. Não é muito, mas é um começo.'

Assim foi dada a largada de Manos e Minas, que estréia na TV Cultura no dia 7, às 19h30, e promete fazer jus ao bordão 'tá tudo dominado'. Mas, afinal, o que é Manos e Minas? Com exclusividade, fomos acompanhar a primeira gravação.

Programa de auditório? Show? Jornalismo? É tudo ao mesmo tempo - e agora. É o primeiro programa da TV nacional que não é só pensado mas também produzido pelo morador da periferia. 'Não é show. A vybe aqui é diferente. Na TV, você troca energia com o público, mas nunca sabe como vai voltar. Está sendo ótimo. O pessoal troca idéia legal. É o espaço que faltava. Até hoje, quase sempre, quando falam de nós, é só na página policial', reflete Rappin Hood. Em Manos e Minas, ele é mais que apresentador. É mestre-de-cerimônias. 'Não tem personagem. Sou eu mesmo', brada ele, que fez sua estréia na TV em 2007 no quadro Mano a Mano, do Metrópolis, em que fazia reportagens sobre temas da cena periférica de São Paulo. 'No Metrópolis, era mais concentrado na cultura. Fomos formatando uma linguagem e amadurecemos a idéia de criar um programa novo', comenta o diretor artístico de Manos e Minas, Ricardo Elias.

Mas quem manda na pauta da periferia? Um coletivo criativo formado pelo diretor do Núcleo de Cultura e Arte Hélio Goldstein, pelo editor-chefe Ramiro Zwetsch, o diretor de cena Dinho e por Elias. O motorista do 'busão' cultural é Rappin Hood.Por falar em coletivo, um dos destaques do programa é o quadro Buzão - Circular Periférico. Já tradicional das quebradas, o Buzão é conduzido pelo agitador cultural Alessandro Buzo, que percorre em um ônibus os caminhos da periferia do Brasil. Para completar o time, a DJ Juju Denden faz reportagens com o toque das minas sobre assuntos diversos. Cabelo afro, comida de porta de estádio e, claro, moda. O escritor Ferrez fala da cena cultural que pulsa nas quebradas. Rappin também vai a campo em busca de reportagens sobre esporte e comportamento. E arremata: 'Satisfação! Tamo junto!'


segunda-feira, 3 de março de 2008

Manifesto da Antropofagia Periférica


Na semana passada o professor de jornalismo cultural falou sobre o Manifesto Antropofágo de Oswald de Andrade, publicado em 1928. Imediatamente me lembrei do Manifesto da Antropofagia Periférica, escrito por Sérgio Vaz e apresentado na 1º Semana de Arte Moderna da Periferia. A Semana até rendeu matéria na revista Época. Veja o Manifesto:

Manifesto da Antropofagia Periférica
A Periferia nos une pelo amor, pela dor e pela cor. Dos becos e vielas há de vir a voz que grita contra o silêncio que nos pune. Eis que surge das ladeiras um povo lindo e inteligente galopando contra o passado. A favor de um futuro limpo, para todos os brasileiros.
A favor de um subúrbio que clama por arte e cultura, e universidade para a diversidade. Agogôs e tamborins acompanhados de violinos, só depois da aula.
Contra a arte patrocinada pelos que corrompem a liberdade de opção. Contra a arte fabricada para destruir o senso crítico, a emoção e a sensibilidade que nasce da múltipla escolha.
A Arte que liberta não pode vir da mão que escraviza.
A favor do batuque da cozinha que nasce na cozinha e sinhá não quer. Da poesia periférica que brota na porta do bar.
Do teatro que não vem do “ter ou não ter...”. Do cinema real que transmite ilusão. Das Artes Plásticas, que, de concreto, querem substituir os barracos de madeira. Da Dança que desafoga no lago dos cisnes.
Da Música que não embala os adormecidos.
Da Literatura das ruas despertando nas calçadas.
A Periferia unida, no centro de todas as coisas.
Contra o racismo, a intolerância e as injustiças sociais das quais a arte vigente não fala.
Contra o artista surdo-mudo e a letra que não fala.
É preciso sugar da arte um novo tipo de artista: o artista-cidadão. Aquele que na sua arte não revoluciona o mundo, mas também não compactua com a mediocridade que imbeciliza um povo desprovido de oportunidades. Um artista a serviço da comunidade, do país. Que, armado da verdade, por si só exercita a revolução.
Contra a arte domingueira que defeca em nossa sala e nos hipnotiza no colo da poltrona. Contra a barbárie que é a falta de bibliotecas, cinemas, museus, teatros e espaços para o acesso à produção cultural.
Contra reis e rainhas do castelo globalizado e quadril avantajado.
Contra o capital que ignora o interior a favor do exterior. Miami pra eles? “Me ame pra nós!”.
Contra os carrascos e as vítimas do sistema.
Contra os covardes e eruditos de aquário.
Contra o artista serviçal escravo da vaidade.
Contra os vampiros das verbas públicas e arte privada.
A Arte que liberta não pode vir da mão que escraviza.
Por uma Periferia que nos une pelo amor, pela dor e pela cor.
É TUDO NOSSO!
Sérgio Vaz

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

É a vez dos jornais populares



Esta é a hora e a vez dos jornais populares. Rio de Janeiro e Belo Horizonte dominam na tiragem destes jornais. A matéria do Portal da Imprensa mostra esse crescimento. O Voz da Periferia terá o mesmo público, classes C e D, mas a linha editorial será diferente, o foco é nos acontecimentos e realidade da periferia, a prestação de serviços também será um forte. Num período em que a crença é de que os jornais impressos irão acabar, os periódicos populares nunca cresceram tanto. Pelo menos, enquanto a inclusão digital não se der de vez, os jornais impressos e, principalmente os populares, continuarão existindo.

Publicado em: 27/11/2007 18:16
Jornais populares explodem em vendas. São Paulo está fora da rota
Marina Dias/Redação Portal IMPRENSA

Os jornais populares se tornaram um fenômeno no Brasil. Entretanto, ninguém esperava que a venda desses periódicos se tornasse tão explosiva, desbancando os grandes veículos de comunicação que estão há anos no topo das tiragens. Esses novos dados foram divulgados pelo Instituto Verificador de Circulação (IVC), revelando que o tablóide mineiro Super Notícia, de Belo Horizonte, alcançava o primeiro lugar do ranking no mês de agosto, com aproximadamente 300 mil exemplares diários vendidos, desbancando a Folha de S.Paulo, que obteve uma média de 299 mil.
Na lista dos dez maiores jornais do país, o Super Notícia não é o único que segue a linha editorial popular. Outros títulos voltados, principalmente, às classes C e D também obtiveram destaque, como o Extra, do Rio de Janeiro, que ficou à frente do Estado de S.Paulo, e o Diário Gaúcho, do Rio Grande do Sul, que atingiu 152 mil exemplares.
Preços baixos, muitas cores e imagens, linguagem curta e objetiva e excesso de publicidade são imprescindíveis para o sucesso das publicações, é o que dizem os especialistas. Além deles, Lúcia Castro, editora-executiva do Super Notícia, afirma que essa é a fórmula para a grande tiragem de seu jornal. "Trabalhamos, também, com muitas promoções e os prêmios são sempre de boa qualidade. Nosso preço é excessivamente baixo (R$0,25) e nosso leitor sabe o que quer e onde encontrar".
Fundado em 2002, o tablóide mineiro cresceu 4.000% em 33 meses e, já em 2006, alcançou o primeiro lugar em Minas Gerais, deixando para trás o Estado de Minas, que foi líder em vendas por 40 anos. "As manchetes são sempre factuais, com apelo para a cobertura policial e celebridades", afirma Lúcia. Além disso, o editorial do Super, como é conhecido, é repleto de serviços, anúncios de empregos e seções destinadas aos aposentados e ao leitor que deseja anunciar o seu trabalho.
A distribuição é feita por vendedores ambulantes terceirizados e não há serviço de assinantes. "As vendas são avulsas, também em bancas, e o Super criou um novo público leitor, de pessoas que não liam e passaram a ler jornal. Não pensamos, portanto, em aprofundar as notícias, o público quer o que a gente dá", declara Lúcia.
É interessante notar que o mercado paulista conta com apenas duas publicações de perfil popular. O Diário de S.Paulo, que alcança uma tiragem de aproximadamente 70 mil exemplares e o São Paulo Agora, com uma média de 79 mil. Dessa forma, essas publicações ficaram bem abaixo do décimo colocado do ranking, o carioca O Dia, que chegou a 113 mil exemplares.
Mesmo sendo uma das maiores cidades do mundo, com 20 milhões de habitantes, São Paulo não avança no mercado editorial popular, fato observado, também, pelo fechamento do Notícias Populares, em 2002 e com seu principal jornal concorrendo com uma publicação de Belo Horizonte, cidade com 20% de sua população. Lúcia Castro acredita que o fato se dá por conta do formado desses jornais. "Eles não são tablóides e, além disso, não tem preços tão baixos", já que o Diário de S.Paulo é vendido por R$ 2,5 e o Agora tem preço de capa de R$1,5.
Vender a preços baixos, uma das fórmulas dos vitoriosos do mês de agosto, não prejudica a receita, segundo Peodomiro Braga, diretor-executivo do Super Notícias. "A alta receita de publicidade garante o lucro do jornal", finaliza.

Portal da Imprensa