segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Matéria 1 - editoria Eu curto!

Periferia na avenida
Leandro de Itaquera escolhe periferia como enredo do carnaval 2009

O programa apresentado por Regina Casé serviu como inspiração para o enredo da escola


O trabalhador que sobe o morro todos os dias, o rapper que compõe suas músicas, o migrante nordestino, o jogador dos campos de várzea. Esses e tantos outros personagens desfilam no sambódromo no próximo carnaval.

Inspirado no programa Central da Periferia, da TV Globo, o enredo da Leandro de Itaquera traz a atriz e apresentadora do programa, Regina Casé, como Rainha de bateria. Depois de dois anos, a escola de samba volta ao grupo de elite e se apresenta no primeiro desfile de sábado. O enredo deste ano é “Leandro de Itaquera faz a festa da periferia, salve, salve a nossa rainha Regina Casé ”.

No dia 11 de outubro a atriz visitou a escola, que fez um concurso para escolher o samba do próximo carnaval. Quatro composições concorriam ao enredo, todas sobre periferia. A música vencedora foi a dos compositores Xixxa, Juba, Didi Poeta, André, Wagner, Gêmeos e Gomes.

Os preparativos, as fantasias e os ensaios continuam cada vez mais fortes. “Estamos empenhados em desenvolver um excelente espetáculo, com cores e brilhos. Será um dos maiores carnavais vistos por todos, nosso hino, a nossa oração será, com certeza um samba inesquecível”, afirma o presidente da escola, Leandro Alves Martins.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Enfim, o jornal



No final de outubro concluímos o jornal Voz da Periferia. São 16 páginas de matérias focadas nas periferias e comunidades paulistanas. Logo postaremos todas as matérias aqui. O jornal está disponível em PDF, no link abaixo.

A vida no Buzão - Artigo do escritor e apresentador da TV Cultura, Alessandro Buzo

Editorial - Izabela Vasconcelos e Priscilla Mendes

Seu Espaço (charge, foto, dica e reclamações dos leitores)

Eu curto!

Periferia na avenida - Leandro de Itaquera escolhe periferia como o enredo do carnaval 2009

Diversão não vai faltar! - Agenda Cultural da Periferia traz os principais eventos em diversos bairros

Voz Ativa

Associações Comunitárias : Saiba colaborar com o seu bairro - Trabalho dos moradores beneficia periferia e traz melhorias à população

Nas ondas do Rádio - Reclame, sugira e se divirta ouvindo o som do seu bairro

Viva Saúde

Aprenda a se prevenir contra o inimigo do peito - índice de morte por câncer de mama aumentou 68% no Brasil, doença é a que mais mata entre as mulheres

Saúde na terceira idade - Saiba como melhorar a qualidade de vida com a Medicina Tradicional Chinesa

2008: ano do saneamento básico? - Problema que atinge 47% da população brasileira e mata 15 mil por ano, ganha um ano de celebração

Sua chance!

Agência gratuita oferece cursos e orientação profissional - Além de buscar vagas, interessados podem aprender a elaborar currículos e a se comportar em entrevistas e dinâmicas

Vida real

Drogas, e agora? - A história de quem vive ou já viveu o drama e o mais importante: como lidar com a situação

É correto dar esmolas?

Torcida

Futebol também é história - Um museu dedicado à paixão dos brasileiros

Silva, do Rio Claro: 20 anos vestindo a camisa do clube

Cafu: da periferia para o mundo - Jogador visita Jardim Irene e relembra a infância e juventude no bairro

Ele faz o que parece impossível - Atleta sem as pernas exibe talento nas quadras

Basquete de Rua: Brasilândia é forte no esporte

Seu bolso

Economize na compra da cesta básica - Pesquisando bem é possível poupar mais de mil reiais por ano

Aprenda a se vestir com pouco dinheiro - No brechó da Inês, na periferia da zona sul de São Paulo, você consegue encontrar roupas de marca por até R$ 2,00

Armazenamento doméstico: Você já ouviu falar? - Técnica faz com que alimentos por muitos anos e sejam úteis em momentos de maior necessidade

Fala aí!

O catador de sonhos - Um cinema feito com materiais encontrados no lixo já fez os olhos de muitas crianças brilharem na periferia de Taboão da Serra

O jornal finalizado está disponível para download no seguinte endereço:

OBS: Continuamos recebendo informações sobre as novidades que acontecem na periferia, e continuaremos atualizando o blog.

sábado, 4 de outubro de 2008

A matéria mais difícil


Por Priscilla Mendes

Na verdade nem sei por onde começar, a única coisa que sei é que tudo que presenciei e vivi hoje irei guardar para o resto da minha vida, quero contar para os meus futuros filhos e bem mais futuros, netos. Passei a enxergar a vida com outros olhos, porque além de passar por uma prova, estive ao lado de pessoas maravilhosas, batalhadoras e que mostraram que nunca devemos desistir dos nossos sonhos e principalmente que devemos lutar dia-a-dia como se aquele instante fosse o último de nossas vidas.

Passei por uma prova e conheci pessoas especiais, graças ao jornal Voz da Periferia que me ensina coisas novas diariamente, que me ensina o que é ser jornalista, o verdadeiro significado de jornalismo popular e principalmente que humildade é a melhor virtude que o homem deve ter.

Hoje, quando acordei, era uma pessoa e agora que escrevo sou outra, comecei o meu dia bem cedinho, como sempre, mas não imaginava que o meu dia seria tão diferente dos outros. As 08h30min da manhã agendei uma entrevista com o Cristiano, 27 anos e morador do extremo sul da periferia de São Paulo. Ao chegar fui recepcionada por um homem "igual" aos outros, ele vestia uma calça preta, uma camiseta azul do Brasil e um sapato preto, até então normal. Desci as escadas da casa dele e entrei na sala e lá iniciamos um bate papo que não esquecerei nunca.

Cristiano nasceu com as duas pernas sem perônio – o osso externo que liga o joelho ao tornozelo. Estava condenado à uma vida inteira na cadeira de rodas, ou à amputação das duas pernas, abaixo do joelho. Para abrir caminho à tecnologia das próteses, dona Nilzete, mãe de Cristiano, decidiu que deveria ser amputada as pernas do seu filho, e naquele instante nasceu um homem igual aos outros, apenas com duas pitadas de diferença.

Desde os 6 anos de idade, mesmo sem as duas pernas, Cristiano joga futebol na quadra e no campo e, detalhe, apenas ele no time tem deficiência física. Além de jogar futebol e participar de campeonatos regionais, ele trabalha, faz faculdade de teologia, nas horas vagas gosta de mexer em motores de carro e também prática natação. Hoje ele também vê a vida de outra forma, há dois anos atrás ele traficava, era usuário de cocaína, já foi pichador e também já esteve preso. Conversei com ele uma hora e meia, tirei fotos dele, medalhas, troféus e saí de lá com um exemplo de vida.

Se não bastasse só um exemplo, fui para o Centro de São Paulo à procura de pedintes para fazer outra matéria, ao chegar abordei um morador de rua, só que ele não quis falar comigo porque disse que só falava inglês. Aí conversei com outros dois moradores de rua que são pedintes. Sem eu saber Deus tinha colocado no meu caminho duas pessoas brilhantes. Carlos, 23 anos, morou 2 anos na rua e há 7 dias retornou e Ana Paula, 39 anos, ex moradora de rua e ex usuária de crack, só que hoje ela ainda vive na rua para tentar tirar das drogas a pessoa que a incentivou a sair, que é o marido viciado em crack. Cada um contou algumas histórias, mas a história que mais mexeu comigo foi a do Anjo da Sé, um morador de rua que vive pedindo esmolas, mas todas as manhãs ele pega o dinheiro arrecadado e compra duas formas de bolo, que a Ana Paula faz para vender nos pontos de ônibus, ao comprar os bolos ele sai distribuindo para os outros moradores de rua.

Todas essas histórias foram mexendo a minha cabeça no decorrer do dia, só que eu tinha pela frente o grande teste. Sei que muitas pessoas se tornam pedintes porque precisam como é o caso do Anjo da Sé, mas outras abusam da boa fé e pedem porque querem ou até mesmo utilizam crianças para arrancar dinheiro das pessoas. Eu tinha que saber qual era a sensação de ser pedinte e o valor que eles conseguem arrecadar em média por dia e por isso resolvi me passar por pedinte.

A sensação foi terrível, confesso que foi a pior que já tive até hoje. Ao me vestir "estranha" as pessoas me olhavam como se eu fosse um E.T, sem ter em mente o que dizer, entrei de cabeça baixa na lotação e comecei a falar: "BOA TARDE PASSAGEIROS, DESCULPE INCOMODAR A VIAGEM DE VOCÊS, MAS VENHO AQUI PARA PEDIR AJUDA DE CADA UM, ESTOU DESEMPREGADA E OS MEUS PAIS SÃO DE IDADE E NÃO CONSEGUEM ARRUMAR EMPREGO. EU TENHO 4 IRMÃOS MAIS NOVOS E EU SOU A MAIS VELHA E É TERRIVEL VER OS MEUS IRMÃOS PEDINDO AS COISAS E MAIS TERRIVEL AINDA É VER OS MEUS PAIS CHORANDO SEM PODER DAR O QUE OS MEUS IRMÃOS PEDEM. MEUS PAIS POR SEREM DE IDADE PRECISAM DE REMÉDIOS E EU NÃO POSSO AJUDAR, EM CASA NÃO TEMOS NADA PARA COMER E ESSE FOI O ÚNICO JEITO QUE ENCONTREI, ACEITO QUALQUER COISA, ATÉ MESMO QUEM TIVER ALGO DE COMER EU ACEITO". De cabeça baixa e com voz de choro pela sensação, consegui arrecadar algumas moedas. Ao recolher o dinheiro as pessoas me olhavam com desprezo, com nojo, pena e cada vez a vontade de chorar era maior.

Fiquei na 1ª viagem seis minutos e foram os mais longos da minha vida, quando desci da lotação a única coisa que fazia era chorar, porque nunca imaginei que passaria por essa situação e que a experiência seria tão dolorosa e triste. A vergonha que senti, a humilhação que passei marcou a minha vida. Sou contra quem dá dinheiro aos pedintes, afinal gera até a exploração de crianças, mas hoje senti e vi de perto o que as pessoas que realmente precisam passam.

Priscilla Mendes

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Jornalismo Participativo


Além das editorias de saúde,cultura, trabalho e educação, política, dinheiro e esporte, o jornal Voz da Periferia também abrirá uma página inteira para a contribuição dos leitores. É uma forma de aproximação interessante entre o jornal e a comunidade. Veja como será esta página:

Espaço do leitor (página 3)


Minha charge
Espaço reservado para que qualquer leitor, que goste de desenhar, possa enviar charges criadas por ele.

Minha foto
Espaço reservado para a publicação de fotos das comunidades dos leitores, com breve legenda.

Acontece no meu bairro
Nesta área o leitor poderá enviar um pequeno texto, cerca de duas linhas, sobre algum evento ou ação interessante realizada no seu bairro, tais como: projetos, programas culturais, campanhas educativas, etc.

Minha dica
Qualquer leitor poderá enviar uma dica de algo que entenda ou ache interessante em diversas áreas: educação, saúde, cultura, meio ambiente, economia, etc.

Palavra do leitor
Espaço reservado para o leitor fazer críticas, sugestões e expressar suas opiniões para a melhoria do seu bairro. Haverá, abaixo da palavra do leitor, um cadastro para que o leitor preencha, destaque e envie para o espaço “Palavra do leitor”, caso prefira desta forma.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Periferia na Bienal do Livro


No último sábado fomos na Brasilândia atrás de pautas, depois fomos no Anhembi, na Bienal do Livro. Assistimos um debate sobre literatura periférica. Participaram do debate, mediado pelo jornalista Chico Pinheiro, Sérgio Vaz, Allan da Rosa, Sacolinha e Alessandro Buzo, todos escritores da periferia. Confira:

Periferia marca presença na Bienal do Livro


Izabela Vasconcelos

Escritores da periferia nas grandes editoras rompem com a identidade e objetivo da periferia? Ou melhor: é possível ser independente em uma grande editora? Essa foi a questão levantada pelo jornalista Chico Pinheiro no debate sobre literatura periférica, no último dia 23/08, na Bienal do Livro de São Paulo. Participaram do debate Sérgio Vaz, Allan da Rosa, Sacolinha e Alessandro Buzo, todos escritores da periferia.

O tema deu o tom ao debate, para a maioria deles a periferia tem que mostrar seu trabalho, independente de ser em uma grande editora ou não.

Sérgio Vaz, Sacolinha e Alessandro Buzo já têm livros publicados por grandes editoras, como a Global, já Allan da Rosa publica livros por meio de sua editora independente, a Toró.

Para Sérgio Vaz, idealizador da Cooperifa, a grande editora não representa o sucesso do autor ou não. “Não é a chancela de uma grande editora que vai dizer se a gente é bom ou não”, afirmou.

Allan da Rosa acredita que uma editora independente tem um diferencial positivo que as grandes editoras não têm, a acessibilidade para os leitores, a abertura do caminho para a literatura. “Os livros de uma editora independente chegam aonde os livros de uma grande editora não chegam”, explicou.

A periferia se mostra
Na TV, nos debates, nas livrarias, na Bienal. A periferia está ganhando espaço. Para o escritor Alessandro Buzo a Internet é uma grande aliada nesse trabalho de divulgação da arte periférica. “A Internet foi predominante para divulgar nosso trabalho. Nós só tínhamos a grande mídia, que geralmente não abre espaço para a periferia, só no caderno policial. Não abre espaço para coisas positivas”, afirmou o escritor, que agora tem um quadro no programa Manos e Minas, da TV Cultura.

Os saraus abriram espaço para as pessoas expressarem suas opiniões, mostrarem sua arte e imergirem no mundo da literatura. “A gente incentivou a ler, mas também incentivou a escrever”, ressaltou Sacolinha.

“A periferia está vivendo sua primavera de Praga, a nossa Bossa Nova. Nós conseguimos reunir 500 pessoas para ouvir poesia e isso brotou das ruas de terra, do chão puro, do esgoto, da porta de escola, do aposentado que não recebe o salário. Isso não é revolução, é evolução. O povo quer isso, nós estamos vivendo na periferia como se fosse outro país”, disse Sérgio Vaz a respeito dos movimentos culturais que surgiram e estão surgindo na periferia.

“Ver tudo isso me emociona, são 37 anos de jornalismo e eu posso dizer que esse é um momento histórico neste país. A periferia está se mostrando, mostrando sua arte”, encerrou Chico Pinheiro, que já freqüentou o Sarau da Cooperifa e afirmou estar encantado com os movimentos culturais que surgiram na periferia.


Confira parte do debate:


quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Um livro inspirador para o projeto



Quando eu terminei de ler o livro Notícias da Favela da jornalista Cristiane Ramalho eu me perguntei: - por que não li esse livro antes? A obra conta todo o processo de construção do portal Viva Favela, da ONG Viva Rio, no estado do Rio de Janeiro. É o primeiro site jornalístico com notícias das favelas do Rio de Janeiro, e sem estereótipos, como a grande mídia faz. Sem estereótipos porque é um trabalho em parceria com os próprios moradores das comunidades. Moradores do Complexo do Alemão, Rocinha, entre outras comunidades, trabalham diretamente com os jornalistas. Eles participam das reuniões de pauta, sugerem temas e vão atrás das pautas, encontram entrevistados e no final escrevem a matéria ao lado de jornalistas do portal. Eles, os moradores, melhor do que ninguém, conhecem muito as suas comunidades e têm um olhar atento para as suas necessidades.

Quem visitar o portal verá que é um projeto muito completo, com galeria de fotos, arquivo de matérias especiais, site específico de meio ambiente, editorias de educação, saúde, trabalho, entre outros temas.

O livro é um relato das conquistas do portal, da relação da mídia com as favelas, dos jornalistas do portal com a comunidade, das necessidades desse público e do quanto ele é mal retratado pela impressa. As pessoas esquecem que nas favelas e periferias há gente trabalhadora, honesta e talentosa, é isso que as matérias do portal mostram, sem esquecer dos problemas de violência e desigualdade social, mas sem deixar que eles prevaleçam e apaguem o lado de luta que existe nessas comunidades.

Com certeza é um projeto inspirador para o nosso TCC, já que também temos a proposta de abordar o outro lado da periferia que a mídia não aborda. Existe uma grande lacuna na mídia em relação à periferia. No Rio de Janeiro há muitos movimentos em prol das regiões mais carentes. Em São Paulo não há veículos de comunicação voltados para a periferia. Há programas de TV, como o Central da Periferia, da TV Globo e o Manos e Minas, da TV Cultura. Mas e no meio impresso? A periferia fica esquecida e suas reais necessidades não são atendidas, seja porque esteja distante dos interesses comerciais dos empresários da mídia, seja porque muitos empresários e jornalistas não entendem a periferia, suas necessidades, seus gostos. Mas por que não tentar? O jornalismo não tem um papel social? É o que todos escutam nos quatro anos de faculdade. Por que não pensar no social?

Izabela Vasconcelos

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Eis o gancho!



Bom, nesse tempo aconteceram algumas coisas. Já apresentamos a pré-banca do TCC. Estavámos nervosas, mas foi muito positivo, de maneira geral, gostaram da idéia do projeto. Vimos que o que os professores fizeram foi clarear nossas idéias com dicas e questionamentos interessantes. Coisas que são importantes e que não tínhamos parado para pensar tanto, como a importância do gancho das matérias. O gancho, isso é importante demais. É por meio dele que vamos conseguir chamar a atenção do leitor. De agora em diante temos o gancho na cabeça!
Agora vamos nos reunir para elaborar o espelho do jornal, discutir as pautas e os ganchos.