terça-feira, 23 de setembro de 2008

Jornalismo Participativo


Além das editorias de saúde,cultura, trabalho e educação, política, dinheiro e esporte, o jornal Voz da Periferia também abrirá uma página inteira para a contribuição dos leitores. É uma forma de aproximação interessante entre o jornal e a comunidade. Veja como será esta página:

Espaço do leitor (página 3)


Minha charge
Espaço reservado para que qualquer leitor, que goste de desenhar, possa enviar charges criadas por ele.

Minha foto
Espaço reservado para a publicação de fotos das comunidades dos leitores, com breve legenda.

Acontece no meu bairro
Nesta área o leitor poderá enviar um pequeno texto, cerca de duas linhas, sobre algum evento ou ação interessante realizada no seu bairro, tais como: projetos, programas culturais, campanhas educativas, etc.

Minha dica
Qualquer leitor poderá enviar uma dica de algo que entenda ou ache interessante em diversas áreas: educação, saúde, cultura, meio ambiente, economia, etc.

Palavra do leitor
Espaço reservado para o leitor fazer críticas, sugestões e expressar suas opiniões para a melhoria do seu bairro. Haverá, abaixo da palavra do leitor, um cadastro para que o leitor preencha, destaque e envie para o espaço “Palavra do leitor”, caso prefira desta forma.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Periferia na Bienal do Livro


No último sábado fomos na Brasilândia atrás de pautas, depois fomos no Anhembi, na Bienal do Livro. Assistimos um debate sobre literatura periférica. Participaram do debate, mediado pelo jornalista Chico Pinheiro, Sérgio Vaz, Allan da Rosa, Sacolinha e Alessandro Buzo, todos escritores da periferia. Confira:

Periferia marca presença na Bienal do Livro


Izabela Vasconcelos

Escritores da periferia nas grandes editoras rompem com a identidade e objetivo da periferia? Ou melhor: é possível ser independente em uma grande editora? Essa foi a questão levantada pelo jornalista Chico Pinheiro no debate sobre literatura periférica, no último dia 23/08, na Bienal do Livro de São Paulo. Participaram do debate Sérgio Vaz, Allan da Rosa, Sacolinha e Alessandro Buzo, todos escritores da periferia.

O tema deu o tom ao debate, para a maioria deles a periferia tem que mostrar seu trabalho, independente de ser em uma grande editora ou não.

Sérgio Vaz, Sacolinha e Alessandro Buzo já têm livros publicados por grandes editoras, como a Global, já Allan da Rosa publica livros por meio de sua editora independente, a Toró.

Para Sérgio Vaz, idealizador da Cooperifa, a grande editora não representa o sucesso do autor ou não. “Não é a chancela de uma grande editora que vai dizer se a gente é bom ou não”, afirmou.

Allan da Rosa acredita que uma editora independente tem um diferencial positivo que as grandes editoras não têm, a acessibilidade para os leitores, a abertura do caminho para a literatura. “Os livros de uma editora independente chegam aonde os livros de uma grande editora não chegam”, explicou.

A periferia se mostra
Na TV, nos debates, nas livrarias, na Bienal. A periferia está ganhando espaço. Para o escritor Alessandro Buzo a Internet é uma grande aliada nesse trabalho de divulgação da arte periférica. “A Internet foi predominante para divulgar nosso trabalho. Nós só tínhamos a grande mídia, que geralmente não abre espaço para a periferia, só no caderno policial. Não abre espaço para coisas positivas”, afirmou o escritor, que agora tem um quadro no programa Manos e Minas, da TV Cultura.

Os saraus abriram espaço para as pessoas expressarem suas opiniões, mostrarem sua arte e imergirem no mundo da literatura. “A gente incentivou a ler, mas também incentivou a escrever”, ressaltou Sacolinha.

“A periferia está vivendo sua primavera de Praga, a nossa Bossa Nova. Nós conseguimos reunir 500 pessoas para ouvir poesia e isso brotou das ruas de terra, do chão puro, do esgoto, da porta de escola, do aposentado que não recebe o salário. Isso não é revolução, é evolução. O povo quer isso, nós estamos vivendo na periferia como se fosse outro país”, disse Sérgio Vaz a respeito dos movimentos culturais que surgiram e estão surgindo na periferia.

“Ver tudo isso me emociona, são 37 anos de jornalismo e eu posso dizer que esse é um momento histórico neste país. A periferia está se mostrando, mostrando sua arte”, encerrou Chico Pinheiro, que já freqüentou o Sarau da Cooperifa e afirmou estar encantado com os movimentos culturais que surgiram na periferia.


Confira parte do debate:


quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Um livro inspirador para o projeto



Quando eu terminei de ler o livro Notícias da Favela da jornalista Cristiane Ramalho eu me perguntei: - por que não li esse livro antes? A obra conta todo o processo de construção do portal Viva Favela, da ONG Viva Rio, no estado do Rio de Janeiro. É o primeiro site jornalístico com notícias das favelas do Rio de Janeiro, e sem estereótipos, como a grande mídia faz. Sem estereótipos porque é um trabalho em parceria com os próprios moradores das comunidades. Moradores do Complexo do Alemão, Rocinha, entre outras comunidades, trabalham diretamente com os jornalistas. Eles participam das reuniões de pauta, sugerem temas e vão atrás das pautas, encontram entrevistados e no final escrevem a matéria ao lado de jornalistas do portal. Eles, os moradores, melhor do que ninguém, conhecem muito as suas comunidades e têm um olhar atento para as suas necessidades.

Quem visitar o portal verá que é um projeto muito completo, com galeria de fotos, arquivo de matérias especiais, site específico de meio ambiente, editorias de educação, saúde, trabalho, entre outros temas.

O livro é um relato das conquistas do portal, da relação da mídia com as favelas, dos jornalistas do portal com a comunidade, das necessidades desse público e do quanto ele é mal retratado pela impressa. As pessoas esquecem que nas favelas e periferias há gente trabalhadora, honesta e talentosa, é isso que as matérias do portal mostram, sem esquecer dos problemas de violência e desigualdade social, mas sem deixar que eles prevaleçam e apaguem o lado de luta que existe nessas comunidades.

Com certeza é um projeto inspirador para o nosso TCC, já que também temos a proposta de abordar o outro lado da periferia que a mídia não aborda. Existe uma grande lacuna na mídia em relação à periferia. No Rio de Janeiro há muitos movimentos em prol das regiões mais carentes. Em São Paulo não há veículos de comunicação voltados para a periferia. Há programas de TV, como o Central da Periferia, da TV Globo e o Manos e Minas, da TV Cultura. Mas e no meio impresso? A periferia fica esquecida e suas reais necessidades não são atendidas, seja porque esteja distante dos interesses comerciais dos empresários da mídia, seja porque muitos empresários e jornalistas não entendem a periferia, suas necessidades, seus gostos. Mas por que não tentar? O jornalismo não tem um papel social? É o que todos escutam nos quatro anos de faculdade. Por que não pensar no social?

Izabela Vasconcelos

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Eis o gancho!



Bom, nesse tempo aconteceram algumas coisas. Já apresentamos a pré-banca do TCC. Estavámos nervosas, mas foi muito positivo, de maneira geral, gostaram da idéia do projeto. Vimos que o que os professores fizeram foi clarear nossas idéias com dicas e questionamentos interessantes. Coisas que são importantes e que não tínhamos parado para pensar tanto, como a importância do gancho das matérias. O gancho, isso é importante demais. É por meio dele que vamos conseguir chamar a atenção do leitor. De agora em diante temos o gancho na cabeça!
Agora vamos nos reunir para elaborar o espelho do jornal, discutir as pautas e os ganchos.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Enquete do jornal - resultado final



Ontem foi entregue o material do TCC para a pré-banca. Foram 61 folhas de noites mal dormidas, rs. Mas estamos empenhadas nesse projeto. Agora vamos começar as etapas de pré-banca, pauta e redação.

Já temos o resultado da enquete com o público alvo do jornal. Segue abaixo:

Resultado da enquete nas quatro zonas da cidade de São Paulo
A enquete foi feita com 100 pessoas, 25 de cada zona da cidade de São Paulo - Pirituba, zona oeste, São Mateus, zona leste, Brasilândia, zona norte e Paraisópolis, zona sul.


Sexo
57 % Mulheres
43 % Homens


Idade
37 % entre 18 e 25 anos
26 % acima de 45 anos
19 % entre 35 e 45 anos
18 % entre 25 e 35 anos


Estado civil
55% Solteiros
38% Casados
4% Divorciados
3% Viúvos


Filhos
70% Sim
30% Não


Possui trabalho fixo?
47% Sim
22% Desempregado
16% Trabalha sem carteira assinada
15% Autônomo


Renda mensal familiar
34% Entre R$ 500 e R$ 1000
29% Até R$ 500
22% Acima de R$ 1.500
15% Entre R$ 1000 e R$ 1.500


Escolaridade
35% Ensino Médio completo
31% Ensino Fundamental incompleto
17% Ensino Fundamental completo
12% Ensino Médio incompleto
3% Ensino superior completo

2% Ensino superior incompleto

Reside em casa própria?
64% Casa em terreno da prefeitura
27% Alugada
7% Casa própria
2% Cedida


Lê jornal?
50% Às vezes
27% Sempre
23% Nunca


Nome do jornal
Voz da Periferia 88 %
Infoperiferia – 7%
Interperiferia – 2%
Nenhuma das opções 2%
Sugestão: Diário da periferia 1%


Editorias
24% Saúde
16% Cultura
16% Política
14% Esporte
8% Cursos gratuitos
5% Trabalho
4% Economia
3% Lazer
1% Direitos do consumidor


Principais necessidades apontadas pelos moradores dos bairros pesquisados

30% Saneamento básico
17% transporte
16% segurança
13% Educação
11% Lazer
11% Saúde
2% nenhum problema

sábado, 24 de maio de 2008

matéria - DO OUTRO LADO MORA A POESIA


DO OUTRO LADO MORA A POESIA

Sarau da Cooperifa se destaca como quilombo cultural com lançamento de mais três livros e a produção de um documentário


Por Izabela Vasconcelos

“Povo lindo, povo inteligente, é tudo nosso!”. É assim que começa o Sarau da Cooperifa. Sérgio Vaz, idealizador do programa, abre o sarau com essas palavras e centenas de pessoas as repetem. Muitas palmas, muita energia. Atrás do palco a frase: “O silêncio é uma prece”, e é assim que acontece há seis anos, na periferia da zona sul de São Paulo, a noite que reverencia a poesia.

A Cooperifa, Cooperativa de Poesia da Periferia, já lançou 36 livros e um CD com poesias de 26 autores, lançado em 2006 na Pinacoteca do Estado, na 2ª Virada Cultural. Além disso, se prepara para mais três lançamentos. Para o próximo mês o livro: Cooperifa, quilombo da poesia, pela coleção Tramas Urbanas da editora Aeroplano, e o documentário sobre o Sarau, produzido pela DGT Filmes, previsto para o final deste ano.

O livro, produzido por Sérgio Vaz, reúne 40 autores e 80 poemas e deve ser lançado em julho. “O livro começa na periferia dos anos 70, onde praticamente vivíamos numa ilha chamada Piraporinha, e que quando íamos ao centro, a gente falava: 'eu fui na cidade'”, conta Vaz. Outra produção, o livro Rastilho da Pólvora 2, também do idealizador da Cooperifa, deverá ser lançado entre junho e julho.

Márcio Batista é um dos organizadores do sarau e também irá lançar um livro em junho, o “Meninos do Brasil”, produção independente. Para ele, a noite poética tem um papel muito importante na periferia.“O sarau representa uma mudança muito grande na perspectiva de vida e na comunidade. Nós não temos idéia de quantas pessoas o sarau atinge, mas tudo isso é muito gratificante”, afirma.

É no Bar Zé Batidão, do proprietário José Cláudio Rosa, que tudo acontece, são duas horas de poesia, o silêncio só é quebrado pelas palmas calorosas do público ao final de cada poesia. Há dias em que o Sarau, que acontece todas as quartas-feiras, a partir das oito e meia da noite, chega a reunir 400 pessoas. O sarau já quebrou fronteiras, pessoas de várias zonas da cidade, e até de outros estados, vêm conferir a noite de poesia.

A Cooperifa surgiu como um movimento cultural da periferia em uma fábrica abandonada em Taboão da Serra, o sarau veio bem depois. “Logo quando a fábrica, onde a Cooperifa nasceu, fechou, eu e o Marco Pezão fomos conversar com o dono de um bar chamado Garajão, em Taboão da Serra, para a gente se reunir às quartas-feira para falar e ouvir poesia. Nem a gente sabia direito o que era sarau, mas o movimento foi crescendo e aí virou esse monstro que aí está”, explica Vaz.

Estudantes, mecânicos, professores, vigilantes, jovens, adultos e idosos recitam seus poemas. Basta colocar o nome no caderninho. Os assuntos são os mais variados: vida, alienação, fome, cotidiano, racismo, preconceito, entre outros. A maioria escreve suas próprias poesias, alguns decoram e recitam poemas como “Navio Negreiro”, de Castro Alves, ou “Perguntas de um trabalhador que lê”, de Bertold Brecht. A dramatização também faz parte dos recitais.

Personagens e poemas
Maria de Lourdes Peixoto, conhecida como “De Lourdes”, freqüenta o sarau há três anos. Logo que terminou a faculdade de letras, passou a freqüentar o programa e a recitar suas poesias. “O sarau é como um ritual, é uma igreja pra mim. Lá eu vou até doente”, diz ela.

Dona Edith, como é conhecida Edith Marques da Silva, perdeu a visão há oito anos por conta de uma diabetes, agora, com 63, diz que tem mais facilidade para decorar, é assim que ela recita longos poemas de Castro Alves, Cora Coralina e Cecília Meirelles. As sobrinhas, suas aliadas, gravam os poemas em fitas para que ela possa decorar. “Eu me sinto muito bem no sarau, eu sempre gostei de ler, eu adoro poesia”, afirma ela.

“Mulheres, preparem-se”, é assim que Lourival Rodrigues da Silva, ou "Seu Lourival", como é conhecido, é anunciado para recitar. Ele chega com seu papel e começa a declamar poemas românticos mesclados de humor e com um dialeto que ele próprio criou. Tudo isso faz dele uma marca registrada no sarau.

Edmauro de Almeida, o "Cocão", conheceu o sarau através de um amigo, a partir daí não parou de freqüentar. Hoje, escreve poesias, rap e é um dos integrantes do grupo Versão Popular, que faz apresentações de rap em diversas comunidades e centros culturais da capital. Cocão também participou do livro “Rastilho de Pólvora” e de um CD que reuniu poemas de vários autores da Cooperifa.

No final de 2007 a Cooperifa realizou a 1º Semana de Arte Moderna da Periferia, com direito ao Manisfesto da Antropofagia Periférica, escrito por Sérgio Vaz, apresentações musicais, debates e poesia.

Além do sarau, a Cooperifa participa da Poesia de Ruas, evento de rap que acontece toda última quinta-feira do mês na sede da ONG Ação Educativa. Sérgio Vaz também realiza oficinas de poesia em diversas escolas públicas. Este ano a Cooperifa também foi convidada para participar da Virada Cultural. Sérgio Vaz, Cocão, Márcio Batista, Lu Souza, José Neto, Rose, Fuzzil, Casulo, João Santos, Walmir Viera e Jairo Periafricania, passaram por três palcos do evento. É a periferia mostrando a sua cara.

domingo, 11 de maio de 2008

Sarau da Cooperifa - talento e poesia


Na última quarta-feira fomos no Sarau da Cooperifa. Foi ótimo. Quanta energia, quanto talento. Pessoas de todas as idades freqüentam e recitam seus poemas. Falam sobre a vida, alienação, fome, cotidiano, racismo, preconceito, entre outros assuntos.
A Cooperifa irá lançar sua 2ª antologia, o livro reúne 40 autores e 80 poemas. Um documentário também está a caminho. É a periferia fazendo arte e mostrando que talento e pensamento estão em ação. O Sarau já é uma pauta para o Voz da Periferia, é só esperar.